HGG tem crescimento de 18% no número de transplantes de rim em 2020

Unidade do Governo de Goiás é o quarto maior centro de transplantes renais do País, com 431 procedimentos realizados desde sua implantação, em 2017

Pedreiro Alceno Barros, 66 anos, passou por um transplante de rim em outubro de 2019 no HGG: "Qualidade de vida"


Desde que o serviço de transplante renal foi implantado no Hospital Estadual Alberto Rassi – HGG, em 2017, já foram realizados 431 procedimentos na unidade do Governo de Goiás e referência no Estado. A equipe é formada por nefrologistas, urologistas, anestesistas, clínicos e cirurgiões gerais e demais especialidades multiprofissionais. No primeiro trimestre de 2020, o hospital se tornou no 4º maior centro transplantador de rim do País. 

“Apesar de nós estarmos vivendo um momento de distanciamento social, em virtude da pandemia da Covid-19, o HGG tem uma boa estrutura. Isso garantiu que mantivéssemos o fluxo normal de transplantes sem interrupções durante esse período em que vários centros transplantadores do País não conseguiram fazer isso e alguns hospitais precisaram parar suas atividades por também serem referência de atendimento de Covid-19”, afirma o diretor-técnico do HGG, Durval Pedroso.

Entre os meses de janeiro e junho de 2020, foram realizados 78 transplantes de rim no HGG, 18% a mais que no mesmo período em 2019. Durval explica que, mesmo em tempos de pandemia, é importante dar andamento a esses atendimentos, para que os pacientes na fila de espera não sejam ainda mais prejudicados por demora ou atraso na realização do transplante. 

“Nas salas de hemodiálise, existem aglomerados de pessoas que vêm de todas as partes do Estado, em um ambiente fechado, com ar-condicionado ligado, para manter os equipamentos funcionando. Uma vez que o paciente é transplantado, ele fica isolado, sem contato com outras pessoas, e isso foi um dos motivos que fez o Serviço Nacional dos Transplantes (SNT) não ver a possibilidade de interromper o serviço de transplante mesmo durante a pandemia”, assegura o diretor.

Ele explica que, a partir do momento em que se entende que existe um potencial doador de órgãos, a pessoa é tratada a fim de manter a pressão arterial e a oxigenação dos tecidos, para que os órgãos sejam viáveis, enquanto se procede ao diagnóstico da morte encefálica. "Essa confirmação é feita por meio de exames clínicos e, depois, com exames diagnósticos."

Hemodiálise por 3 anos 
O pedreiro Alceno de Souza Barros, 66 anos, passou por um transplante de rim em outubro de 2019 no HGG e está muito satisfeito com o atendimento que recebeu no hospital. Antes do procedimento, ele fez hemodiálise por três anos. O paciente afirma que a vida está muito melhor agora, com o novo rim. “Minha qualidade de vida melhorou após o transplante, pois é muito ruim fazer hemodiálise. Com a hemodiálise, a vida fica limitada”, comenta.

Na madrugada do dia 21 de junho, um homem de cerca de 60 anos, sem identificação, deu entrada no HGG com traumatismo craniano, com evolução para morte encefálica. Uma força-tarefa foi mobilizada no hospital, por meio do Serviço Social, que acionou a Polícia Técnico-Científica para identificação do paciente e localização da família, que informou o desejo do homem em doar todos os órgãos.

Com as equipes da Central de Transplantes da Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO) e do HGG mobilizadas, todos os exames necessários foram realizados e uma equipe multiprofissional foi ao centro cirúrgico da unidade para iniciar o processo de captação dos órgãos. Mais de cinco horas de cirurgia e a vida de cinco pessoas se preparam para ganhar uma nova história, a partir da decisão dessa família, de fazer a doação dos órgãos de seu familiar. Foram doados os dois rins, as duas córneas e o fígado.

Segurança
O HGG continua atendendo à população frente a uma solicitação da SES-GO, que entendeu que, mesmo em meio à pandemia de Covid-19, as outras doenças continuam acontecendo. "O hospital tem se mantido atuante nesse sentido, pronto para atender a população em todas as nossas especialidades, inclusive os transplantes", diz o diretor-técnico do hospital.

Durval explica ainda que, desde o anúncio da propagação da transmissão comunitária do novo coronavírus, a gestão do hospital tomou todas as medidas voltadas para a admissão de pacientes. "Existe um sistema de triagem para admissão de pacientes, no qual os mesmos são avaliados e submetidos a tomografias de tórax e a exames laboratoriais. Diante da mínima suspeita, são isolados respiratoriamente até que se tenha um diagnóstico". Os pacientes fortemente suspeitos não são atendidos no HGG, e sim encaminhados às unidades dedicadas ao atendimento de Covid-19.

 

Thalita Braga (texto e fotos)/Idtech