‘Live’ da SES alertam para riscos do trânsito na pandemia

Debate realizado pelo Governo de Goiás aborda tema Perceba o Risco. Proteja a vida, da campanha Maio Amarelo

Orientações sobre respeito às leis do trânsito são fundamentais também na pandemia


A live “Maio Amarelo, isolamento social e as perspectivas pós-pandemia”, realizada pela Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO), na manhã desta sexta-feira, 29, por meio da plataforma Zoom, mostrou que os setores públicos da saúde e a iniciativa privada se preocupam com as mortes e mutilações, com as adequadas políticas urbanas para transportes públicos e particulares, principalmente em Goiânia.

Neste mês de campanha de prevenção aos acidentes de trânsito, o Maio Amarelo – que  tem como slogan Perceba o risco. Proteja a Vida – mostra que a pandemia da covid-19 levou à redução do número de acidentados, conforme verificado nos hospitais de pronto-socorro da rede estadual, ainda que também tenha se observado o aumento na velocidade dos veículos.  

Mediado pela arquiteta e urbanista Erika Cristina Kneib, com a participação de Antenor Nogueira, perito de trânsito e jornalista; e do professor da Universidade Estadual de Goiás (UEG) e geógrafo Vinícius Polzin, os trabalhos foram conduzidos pela coordenadora de Vigilância de Violências e Acidentes da Superintendência de Vigilância em Saúde da SES-GO, Maria de Fátima Rodrigues.  

Risco de acidentes
Sobre a realização da live, ela explicou que “num momento em que o trânsito coloca em risco também toda a coletividade, é preciso perceber que houve redução dos sons e melhora da qualidade do ar, mas houve aumento na velocidade dos veículos, resultando no maior risco de acidentes nas vias públicas. 

No debate, foi mostrado que os motociclistas são uma população mais vulnerável, e é preciso que percebam o risco. Da mesma forma, constatou-se que aumentou o número de pessoas que utilizam o celular ao volante, o que se traduz em risco maior do que a covid-19, “Não podemos esquecer que estamos dirigindo em vias públicas, colocando nossas vidas e a dos outros em risco”, alertou Maria de Fátima. 
    
Na live, destacou-se que a Organização Mundial da Saúde projetou redução de 50% nos acidentes entre 2010 e 2018, mas, no Brasil, essa porcentagem só chegou a 32%. Em Goiânia, a mesma porcentagem de 32% de acidentes ocorreu com motociclistas. “Um cenário que mostra que ainda há muito o que pensar nas políticas de trânsito e de urbanização, pois há pandemia de mortes e mutilações por causa do trânsito”, afirmou Maria de Fátima. “Precisamos pensar um trânsito mais humanizado e ter mais vidas salvas”, explicou ainda.

Desigualdade social
Antenor Nogueira, por sua vez, atentou para o fato de que a pandemia de covid-19 mostrou a realidade da desigualdade social no Brasil. Por isso, segundo ele, é preciso adequar e focar na atuação de um plano de mobilidade urbana que possa considerar que a maioria da população utiliza transportes públicos, motos e agora também, as bicicletas. 

“Vamos continuar enxugando gelo, se não forem realizadas políticas urbanas e um planejamento estratégico, pois é na crise que surgem as grandes soluções, e precisamos repensar os deslocamentos urbanos, colaborar para melhorar o debate e a percepção da realidade que temos”, atentou.
    
Antenor Pinheiro disse também não ser otimista com relação ao trânsito no País, pois é algo complexo, em função do número de subnotificações de ocorrências de acidentes. “Não tenho motivos para otimismos”, lamentou. E lembrou que é preciso não repetir experiências fracassadas, pois “nos preocupamos com transportes individuais em vez de cuidar dos transportes públicos, que tem maior número de usuários”.

Estruturas para bicicletas
Em sua abordagem, o geógrafo Vinícius Polzin enfatizou que até agora não se observam estudos e estratégias para a saúde da população que estimule situações de urbanismos como estruturas para bicicletas. “Não vemos locais sequer para estacionamento delas, principalmente frente ao comércio local”. 

A arquiteta Érika Cristina Kneib sugeriu que seria importante, neste momento, que também a SES-GO reabra a questão da mobilidade urbana como item integrante do plano de transição, integrando atividades para investir na mobilidade, “pensando na cidade que queremos e na cidade que não queremos”.

Maria de Fátima disse que levará as sugestões e críticas dessa live para o plano de reabertura do processo social e para o Centro de Operações de Emergências (COE), “considerando, neste momento, que estamos tratando de vidas, e o trânsito coloca em risco toda a coletividade”. Ela enfatizou ainda que “precisamos ter um trânsito mais humanizado e salvar vidas”.

 


Maria do Rosário Mesquita/Comunicação Setorial