Cólera

Doença infecciosa intestinal aguda, causada pela enterotoxina do Vibrio cholerae O1 e O139.

A última epidemia de cólera ocorrida no Brasil foi no ano de 1991 e fez 168.646 com 2.035 óbitos até 2004, com a maioria dos casos em estados do Norte e do Nordeste. Os últimos casos de cólera ocorreram em 2005, quando foram identificados cinco casos em Pernambuco. A partir de 2006, não houve casos autóctones de cólera no Brasil, tendo sido notificados apenas 3 casos importados, um de Angola (2006), um da República Dominicana (2011) e um de Moçambique (2016).

 

Transmissão

A transmissão ocorre, principalmente, pela ingestão de água contaminada por fezes ou vômitos de doente ou portador. Ocorre ainda pela ingestão de alimentos contaminados por mãos de manipuladores dos produtos, bem como pelas moscas, além do consumo de gelo fabricado com água contaminada. A propagação de pessoa a pessoa, por contato direto, também pode ocorrer.

Prevenção

A ocorrência da cólera é diretamente relacionada às condições inadequadas de saneamento e sua prevenção se baseia na adoção de medidas de higiene pessoal e no consumo seguro de água e alimentos.

Recomenda-se que os viajantes aos países afetados pela cólera adotem precauções relacionadas às condutas de higiene e consumo de alimentos (lembrando que essas recomendações são aplicáveis para evitar qualquer doença transmitida por água e alimentos):

  • Lavar as mãos frequentemente com sabão e água limpa, principalmente antes de preparar ou ingerir alimentos, após ir ao banheiro, após utilizar conduções públicas ou tocar superfícies que possam estar sujas e sempre que voltar da rua.
  • Evitar o consumo de alimentos crus ou mal cozidos (principalmente os frutos do mar) e alimentos cujas condições higiênicas, de preparo e acondicionamento, sejam precárias.
  • De preferência, consuma água mineral engarrafada ou outras bebidas industrializadas. Caso contrário tente ferver ou tratar a água. Para isso, filtre a água e depois coloque 2 gotas de hipoclorito de sódio a 2,5% em 1 litro de água e aguarde por 30 minutos antes de consumir. Em algumas farmácias e supermercados há outros produtos para tratamento da água;
  • Tenha certeza que tanto o gelo quanto os sucos foram preparados com água mineral ou tratada;
  • Prefira restaurantes e lanchonetes que tenham sido indicados por agências de viagens, guias, recepcionistas dos hotéis ou por alguém do local. Evite comer alimentos de ambulantes;
  • Pratos quentes: devem estar bem cozidos e/ou bem passados e quentes no momento do consumo. Não coma alimentos que ficaram em temperatura ambiente por mais de 2 horas;
  • Saladas e sobremesas: devem estar frias no momento do consumo;
  • Evite consumir leite cru e seus derivados não industrializados, bem como carnes cruas e mal passadas (de animais exóticos ou não);
  • Tenha cuidado antes de ingerir peixes e frutos do mar que podem causar alergias e em alguns casos, sintomas neurológicos;
  • Não se esqueça de lavar e/ou descascar as frutas e verduras;
  • É interessante levar nos passeio seu próprio alimento e que, de preferência, sejam alimentos prontos e industrializados e que podem ficar fora da geladeira e não estragam com o calor.

Sintomas

As manifestações clínicas mais frequentes da cólera são diarreia e vômitos com diferentes graus de intensidade. Também pode ocorrer dor abdominal e, nas formas severas, cãibras, desidratação e choque. As fezes podem se apresentar com aspecto água amarelo-esverdeada, sem pus, muco ou sangue. Em alguns casos pode haver, de início, a presença de muco. As fezes podem apresentar um aspecto típico de “água de arroz”. A diarreia na maioria dos casos é abundante e incontrolável, onde o doente poderá apresentar inúmeras evacuações diárias que pode levar a um estado de desidratação grave e choque.

 

Tratamento

Tratamento

O diagnóstico e o tratamento precoce dos casos de cólera são fatores fundamentais para a recuperação do paciente, além de contribuir para a diminuição de casos e contaminação do meio ambiente. O tratamento se fundamenta na hidratação do paciente, mas, lembre-se, somente um médico poderá indicar a melhor terapêutica para o paciente colérico.

 

Referências

Cólera disponível em: http://portalms.saude.gov.br/saude-de-a-z/colera e http://portalms.saude.gov.br/artigos/925-saude-de-a-a-z/colera/11171-perguntas-e-respostas-colera

Guia de Vigilância Epidemiológica 7ª edição Brasília DF

Saúde do Viajante disponível em: http://portalms.saude.gov.br/saude-para-voce/saude-do-viajante